Schrems sentiu uma vaga inquietação sobre o que o Facebook poderia fazer com toda aquela informação. Por que estava tudo lá, perguntou-se, se ele havia apagado? "É como uma câmera pendurada sobre sua cama enquanto você faz sexo. Simplesmente não é uma sensação boa", disse. "Nós na Europa muitas vezes temos medo do que pode acontecer um dia."
Max Schrems mostra as 1.222 páginas com informações suas armazenadas pelo Facebook
Foto: Dominik Steinmair - Efe
O sentimento de Schrems é emblemático do desconforto que varre a Europa sobre o modo como as empresas de internet tratam a informação pessoal. Esse desconforto provocou propostas de regulamentação mais rígida dos dados on-line em todo o continente. E as medidas da Europa para proteger a privacidade na internet gerou uma pergunta delicada: como as leis dos países administram as empresas multinacionais que hoje governam nossas vidas digitais?
Os dados pessoais são o petróleo que move a internet. Cada um de nós está sentado sobre nossas próprias vastas reservas. Os dados que compartilhamos todo dia --nomes, endereços, fotos, e até nossas localizações exatas, medidas pelo sensor de geolocalização embutido nos smartphones com acesso à internet-- ajudam as companhias a dirigir publicidade com base não apenas em dados demográficos, mas também nas opiniões e nos desejos pessoais que publicamos online. A receita dessa publicidade, por sua vez, gera centenas de milhões de dólares para empresas como o Facebook.
A mídia europeia se apoderou da descoberta de Schrems. Os jornais alemães publicaram instruções sobre como requisitar arquivos pessoais do Facebook. Em poucos meses, 40 mil pessoas tinham feito as solicitações. O departamento de proteção de dados da Irlanda, onde o Facebook tem seu centro europeu, realizou uma auditoria sobre as práticas de retenção de dados da empresa; ela concordou em reformular o modo como obtém dados na Europa, inclusive descartar os dados "muito mais cedo".
Os reguladores alemães analisaram a tecnologia de reconhecimento facial. A Holanda está avaliando um projeto de lei que exigiria que os usuários de internet consentissem em ser rastreados enquanto navegam de um site para outro. E, no mês passado, a Comissão Europeia revelou uma lei de privacidade abrangente que exigiria que as empresas obtenham o consentimento explícito antes de usar informações pessoais, informar aos reguladores e aos usuários no caso de uma invasão de dados. De forma ainda mais radical, daria aos europeus o poder de exigir que seus dados sejam apagados para sempre.
"A Europa chegou à conclusão de que nenhuma dessas empresas é confiável", disse Simon Davies, diretor do grupo de direitos civis, com sede em Londres, Privacy International. "Existe um crescente clima de desânimo sobre a questão da privacidade."
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